Sábado, 24 de Junho de 2006
Desde Cuba

A invulnerabilidade militar, já atingida, só poderá se manter com o constante aprimoramento
Granma
14 de junho de 2006, 9:30am

Discurso proferido pelo segundo-secretário do Comitê Central do PCC e ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FARs), general-de-exército Raúl Castro, no ato por ocasião do 45º aniversário da fundação do Exército Ocidental, realizado em San José de las Lajas, Havana, em 14 de junho de 2006. Ano da Revolução Energética em Cuba.

Companheiros e companheiras:

Quarenta e cinco anos depois daquele 1961 determinante para a Revolução, estamos duas vezes satisfeitos: por sempre contarmos com o comandante-em-chefe e por termos sido conseqüentes com o princípio que resume uma afirmação dele: “Não diminuiremos a vigilância nem um só minuto. Não descuidaremos um só minuto a organização da defesa”.
Foi assim que Fidel afirmou em 20 de janeiro de 1961 diante de milhares de milicianos de Havana, que voltavam do combate, junto aos do centro e os do leste do país, aos bandos financiados pelo império nas montanhas da região central, na outrora província de Las Villas.

A Revolução já tinha demonstrado que armar o povo não era mais uma palavra-de-ordem. Era uma realidade que crescia diante dos olhos do inimigo, como o constatou em sua própria pele três meses depois.

A vitória da Baía dos Porcos foi um fato crucial na decisão de enfrentar o império com as armas. Ligadas a ela, estão a criação do dia do Miliciano, do da Daafar e do Tanquista, e pouco antes ou depois dessa grande vitória, nasceram os exércitos Central (em 4 de abril), o Oriental (em 21 desse mesmo mês), e o Ocidental (em 14 de junho). Uns dias antes, em 6 de junho, foi criado o Ministério do Interior. Foram, portanto, meses de muitas e justificadas comemorações.
Aqui estão os comandantes da Revolução Juan Almeida, Ramiro Valdés e Guillermo García, fundadores dessas instituições e protagonistas excepcionais daqueles acontecimentos, e quem lhes está falando, que fez alguma coisa pelo Exército Oriental naqueles dias.

Marcam presença também os generais-de-corpo-de-exército Leopoldo Cintra, Ramón Espinosa e Joaquín Quintas. Acho que todos nossos combatentes, tão firmemente unidos como estiveram em 1961 e estarão sempre, se consideram representados por eles.
Coincidentemente, hoje também comemoramos os aniversários natalícios de dois grandes homens, o 161º do lugar-tenente general Antonio Maceo e o 78º do comandante Che Guevara, razão pela qual se fundem simbolicamente neste ato as três etapas de um mesmo Exército: o Mambi (dos combatentes cubanos), o Rebelde e as FARs.

ESTAMOS CIENTES DE QUE SEM O ESFORÇO PERMANENTE DE NOSSO POVO, HA MUITO QUE NÃO EXISTIRÍAMOS COMO NAÇÃO INDEPENDENTE

Os cubanos estamos cientes de que, sem o esforço permanente de nosso povo para consolidar a capacidade defensiva do país, há muito que não existiríamos como nação independente.

Conseqüentemente com esse princípio, em 15 de julho de 2003, nosso Partido, representado pelo plenário de seu Comitê Central, presidido por seu primeiro-secretário, após uma análise profunda do momento em que vivíamos e dos problemas que poderiam surgir a curto prazo, nos instou a um maior esforço para fortalecer a defesa.

O momento era bem complexo. O governo dos Estados Unidos experimentava a euforia triunfalista de uma presumível vitória instantânea no Iraque. Essa ilusão, apoiada por uma gigantesca campanha de propaganda, baseada em mentiras, confundiu naquele momento boa parte dos cidadãos norte-americanos e muitos outros no mundo.

Mesmo, quando o movimento popular contra a guerra se manifestou energicamente nalguns países, a política de agressão do império contava nesse momento com o apoio de seu povo, e é isso que registravam as enquestes.

Muitos incautos viram aquela guerra como parte da suposta guerra contra o terrorismo. Não repararam que, na verdade, se tratava de uma ação coerente com os objetivos imperialistas de hegemonia mundial, de outra tentativa para controlar fontes de matérias-primas essenciais, designadamente, de combustíveis; uma nova tentativa, ao mesmo tempo, de lançar mão do antigo padrão da guerra para superar a crise econômica e também, satisfazer as ânsias de lucros das multinacionais.

Em meio a essas condições favoráveis a seus interesses, era óbvio que os falcões do império consideravam ajustar contas com aqueles que representavam um empecilho para seus sonhos de dominação mundial, e evidentemente, Cuba, por razões bem conhecidas, poderia aparecer ocupando os primeiros lugares na lista dos alvos imediatos.

O apoio cada vez maior desta administração norte-americana aos grupos da extrema direita cubana radicados em Miami, a incitação constante aos mercenários em Cuba, a partir da Repartição Consular dos EUA em Havana, o aumento das provocações e ações terroristas, como o seqüestro de embarcações e aviões civis, bem como a implementação de grandes campanhas da mídia, eram indícios claros de tais propósitos de agressão.

Acrescenta-se ao acima referido, a situação econômica muito difícil do país, pois aumentaram os preços do petróleo após a invasão ao Iraque, diminuiu o turismo, em conseqüência dos atentados de 11 de setembro de 2001, e despencaram os preços do açúcar, ao ponto de se tornar insustentável sua produção em muitos cantos da Ilha.
Nada disso nos vergou. Prosseguriram, junto de outras tarefas importantes da Revolução, os programas da Batalha das Idéias, voltados para aperfeiçoar a educação, a saúde, a assistência social, a cultura, os esportes, enfim, a qualidade de vida do povo.

Os recursos para esse milagre não vieram de nenhum fundo misterioso. Provieram do engenho criador, do talento e do trabalho organizado e entusiástico de nosso povo. Dessa mesma fonte, procedem os que tornaram possível a consolidação, de maneira significativa, da defesa do país.

NOSSA CERTEZA NA VITÓRIA BASEIA-SE NO SANGUE DERRAMADO PELOS TOMABADOS E NO SUOR DE MILHÕES DE CUBANOS

A afirmação do comandante-em-chefe de que Cuba é hoje praticamente invulnerável a uma agressão militar, se sustenta na análise das fortalezas e fraquezas de nosso inimigo, bem como das possibilidades de enfrentá-lo pelas vias e pelos métodos mais certos para um pequeno país como o nosso, que não dispõe de muitas riquezas naturais, mas sim da extraordinária fonte de moral revolucionária e conhecimentos de seus filhos.

Nossa certeza na vitória se baseia no sangue dos companheiros tombados e no suor dos milhões de cubanos durante várias décadas, e particularmente, nos últimos anos, que trabalharam para tornar realidade nosso objetivo principal de impedir a guerra.

O terrível vespeiro em que se converteria cada canto de nosso país, repito, o terrível vespeiro em que se converteria cada canto de nosso pais, provocaria um número de baixas do inimigo muito superior ao que a opinião pública norte-americana admitiria.

É bom salientar que, nessas circunstâncias difíceis, como noutras ao longo de 45 anos de agressões de todo o tipo, nunca consideramos o povo norte-americano inimigo, ao contrário.
No passado abril, começamos um périplo pelo leste do país e visitamos por vários dias os territórios que atendem os três exércitos, junto ao comandante da Revolução, Juan Almeida, e principais chefes das FAR, que concluiu, na semana passada, no Exército Central.

O objetivo foi verificar diretamente in situ, o cumprimento dos acordos do Plenário do Comitê Central, ao qual me referi no início de meu discurso, e das decisões do comandante-em-chefe Fidel Castro, derivadas do exercício estratégico Bastião 2004.

Posso afirmar com toda certeza que se foram importantes os sucessos obtidos na capacidade defensiva do país até hoje, a partir daí se multiplicaram consideravelmente os esforços, e fundamentalmente os resultados.
Foi tornado público o trabalho do comandante-em-chefe no Bastião 2004, que se estendeu por uns dias, depois da terminação oficial do exercício.

A posta em prática das decisões derivadas dessa análise pormenorizada, que permitiu que centenas de órgãos de direção e comando chegassem a conclusões, significou um salto qualitativo enorme na capacidade defensiva do país. E não só me estou referindo a questões ligadas diretamente à luta armada. Tão importantes quanto ela são as medidas que se vinham providenciando no setor econômico e político-social.

Da imensa oficina de trabalho coletivo, dirigida por nosso líder, surgiram soluções razoáveis, criativas e audazes, que permitiram solucionar imediamente muitos problemas importantes que nos preocuparam por muito tempo.
Cientes de que o homem é elo fundamental de nosso poderio defensivo, se presta atenção particular à preparação do pessoal. Não só foi aprimorada a instrução das tropas. Em apenas três anos, milhares de dirigentes e funcionários civis atualizaram os conhecimentos sobre seus deveres em relação à defesa.

Os centros de ensino militar, esta brigada-escola onde nos encontramos e outras similares existentes em todos os territórios dos três exércitos, continuam desempenhando um papel determinante para conseguir esse importante objetivo.
Além disso, foram traçados novamente todos os planos de defesa, desde o nível nacional até a zona de defesa, para os adequar às novas realidades e às particularidades de cada lugar específico, a partir dos novos conceitos.
Como aconteceu sempre ao longo de nossa história revolucionária, e nomeadamente nos momentos de maior perigo, não podemos falar separadamente de militares e civis ao referirmo-nos aos que contribuíram para a obtenção destes resultados, pois sempre nós trabalhamos estreitamente ligados.

E não podia ser de outro jeito. A guerra de todo o povo já não é mais uma simples concepção teórica, senão uma realidade presente dia após dia em cada tarefa de fortalecimento da defesa do país.

Trabalhadores do Ministério da Construção e das entidades do Parlamento, tropas engenheiras e construtores militares fizeram centenas de quilômetros de túneis e outras obras fortificadas. Patriotas com fardas ou não, pertencentes a outros organismos da administração central do Estado, envidaram todos os esforços para o desenvolvimento das comunicações e a modernização e produção de meios de combate, tarefa que permitiu, com investimento racional de recursos materiais, elevar consideravelmente a qualidade combativa e, fundamentalmente, que correspondam ao uso que prevemos, reanimar uma parte da indústria nacional e demonstrar as potencialidades existentes nesses coletivos operários.

O mesmo aconteceu com as encomendas que visam ao desenvolvimento econômico e social do país. Vou pôr apenas alguns exemplos notáveis, como o da importante contribuição dos combatentes do Exército Juvenil do Trabalho durante décadas, o do grupo numeroso de oficiais das FARs que contribuiu para agilização do fluxo de mercadorias dos portos para seu destino, ou o das empresas construtoras militares, que, juntamente com os trabalhadores do Ministério da Construção e do Instituto Nacional dos Recursos Hidráulicos, fazem obras de aqueduto no leste do país e mais para frente farão no centro da Ilha, que permitirão vazar enormes volumes de água para as regiões que são atingidas tradicionalmente pela estiagem nas províncias de Holguín. Las Tunas e Camagüey.

Os ótimos resultados obtidos na preparação para a defesa do país são um novo ponto de partida para continuar avante. Foram necessários muitos anos para essa tarefa e se precisarão de muitos mais, e de permanente esforço, ainda mais quando a situação internacional pode mudar radicalmente em apenas uns dias. A invulnerabilidade militar, já atingida, só se poderá manter com o constante aprimoramento.

Mais do que recursos — dos quais dispomos cada vez mais — foram decisivos o trabalho criador, a inteligência, a moral e a consciência revolucionária do povo e de seus dirigentes em todos os níveis e instituições, no fortalecimento da defesa.

SOMENTE O PARTIDO COMUNISTA, COMO INSTITUIÇÃO QUE REÚNE A VANGUARDA REVOLUCIONÁRIA E GARANTIA SEGURA DA UNIDADE DOS CUBANOS EM TODOS OS TEMPOS, PODE SER O DIGNO HERDEIRO DA CONFIANÇA DO POVO EM SEU LÍDER

Os mais de 47 anos decorridos desde 1º de janeiro de 1959, demonstram incontestavelmente que os milhões de cubanos dispostos a defenderem a Revolução até a morte, não os motiva o entusiasmo passageiro, nem o fanatismo político, mas uma confiança que alicerça na infalível prova do tempo e dos fatos, na convicção profunda de que o caminho escolhido é o certo, e na invencível unidade nacional.

Eis a chave de nosso poderio defensivo, de nossa capacidade de resistir e ultrapassar as maiores dificuldades. O inimigo sabe disso, por isso se esforça em enfraquecer-nos ideologicamente. E fâ-lo com os olhos voltados para o futuro, num cenário que considera mais favorável para seus propósitos.

Não devemos esquecer que criaram uma chamada transição para o capitalismo, apostando pelo fim da Revolução, quando já não mais esteja sua chefia histórica. Para isso, mantêm a denominada “Comissão para assistir a uma Cuba livre”, com um interventor norte-americano designado e à frente, como no tempo das canhoneiras ianques pela América Latina.
Enfrentamos um inimigo, cuja teimosia e prepotência o leva freqüentemente a cometer erros, mas isso não quer dizer que seja tolo. Sabe que a confiança especial do povo no líder fundador da Revolução não se transmite como se fosse uma herança àqueles que ocupem futuramente os principais cargos de direção do país.

Enfatizo o que afirmei em muitas ocasiões: o comandante-em-chefe da Revolução Cubana é um só e somente o Partido Comunista como instituição que reúne a vanguarda revolucionária e garantia segura da unidade dos cubanos em todos os tempos, pode ser o digno herdeiro da confiança do povo em seu líder. É para isso que trabalhamos, e será assim, o resto é puro palavreado.

Tal como vencemos em todas as batalhas, tanto em Cuba quanto no exterior cumprindo o dever internacionalista, venceremos o inimigo que tente se infiltrar em nossas fileiras, consolidaremos cada vez mais a revolução e seremos mais fortes em todas as frentes.

Incontestavelmente, a situação mudou muito em relação a julho de 2003, quando se efetuou o plenário do Comitê Central ao qual já me referi.
Se nesse momento, entre 90% e 55% da população dos Estados Unidos apoiava a política do sr. Bush, hoje essa percentagem decresceu, e representa apenas a terça parte dos cidadãos, assunto que poderia fazer tremer um prefeito qualquer de uma Câmara municipal.

A vitória relâmpago que consideraram há três anos “missão cumprida” no Iraque, se converteu num beco sem saída e repleto de empecilhos por todo lado. Ainda, o Afeganistão, que parecia em paz — pelo menos, as principais cidades, que foram as que conseguiram controlar nalguma medida — começa a ser outra séria dor de cabeça para o império e seus aliados.
A economia norte-americana pende cada vez mais da corda fina das despesas da guerra e se acrescentarmos a isso a impressão desenfreada de dólares com os quais tentam fazer face ao crescente desbalanço comercial e orçamentário, qualquer previsão imparcial apontará, mais tarde mais cedo, para a debacle.

Por outro lado, nos Estados cresce cada vez mais o número de pessoas que manifestam que deve ser examinada novamente a política desse país em relação a Cuba, das quais, importantes figuras dentre os militares norte-americanos.
Certamente, não parece ser o cenário mais próprio para empreender novas aventuras militares, mas também não podem esquecer os ensinamentos da história. Não será a primeira vez que uma potência imperialista, e designadamente os Estados Unidos, recorre à guerra para tentar superar uma crise interna de qualquer tipo.
Também temos em consideração que a prepotência magoada ou o desespero pode levá-los à loucura de uma agressão militar contra Cuba, embora pareça uma idéia descabelada.

Por isso, são válidas e vigentes as palavras proferidas por Fidel no Relatório Central ao Primeiro Congresso do Partido:
“Enquanto houver imperialismo, o Partido, o Estado e o povo, prestarão a maior atenção aos serviços da defesa. A vigilância revolucionária jamais será descuidada. A história mostra com eloqüência demasiada que os que esquecem este princípio não sobrevivem ao erro.”
Será assim, para sempre podermos gritar na cara do império:
Viva Cuba livre! •

Bandiera Rossa editou às 18:27
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